Friday, June 30, 2006

As vidas em nós...

Hoje, a propósito de uma conversa com uma amiga, dei por mim a repensar a questão dos objectivos que propomos para a nossa vida como se vivessemos atrás de uma cenoura, que vamos ambicionando com cores, tamanhos, formas diferentes, de acordo com o ponto do percuso em que estamos.
Crescemos a querer a atenção dos nossos pais, para depois passarmos a querer antes dar a nossa atenção os brinquedos que mais nos entretêm. Crescemos um pouco mais e começamos a achar-nos senhores dos nossos narizes, brincamos na escola, tentamos driblar os pais com aquelas manhas que achamos que só nós, crianças entendemos. Vamos para o liceu e pensamos que - agora sim - a vida vai começar e fingimos que não passámos pela infância e pré adolescência, até porque essas são as crianças a anos luz de distância de nós. Experimentamos a nossa primeira cerveja, o nosso primeiro cigarro - para alguns de nós o princípio de um vício, que 10, 20 anos depois vamos tentar desesperadamente deixar, vamos até talvez pagar alguém para nos ajudar a fazer isso. Saimos do liceu - com uma sorte tremenda e alguma sabedoria - e vamos para a Universidade, provavelmente para longe de casa, sair debaixo da asa das nossas mães e para longe da vista dos nossos pais. Aprendemos que ser gente não é fumar um cigarro ou apanhar uma bebedeira com os amigos, ser gente não é sair à noite e ficar até tarde, ser gente não é andar no carro do amigo mais velho. Começamos a perceber que é preciso pensarmos com a nossa cabeça, começamos a compreender que a nossa vida, à execepção de alguns acasos da sorte, depende de nós mesmos e de mais ninguém. Fazemos amizades para a vida na universidade e traçamos um rumo para nós, fazemos planos para o futuro que cada vez nos parece mais próximo, mais capaz de nos apanhar.
Entramos no mercado de trabalho e somos logo confrontados com uma nova lição: não podemos mudar o mundo. Alguns de nós aprendem-na, outros vivem inconformados.
Vivemos, sobrevivemos....Alguns morrem.

2 comments:

catarina said...

Não podemos mudar o mundo, mas pudemos mudar pequenas coisas em nós todos os dias e mudar assim o nosso mundo e talvez o mundo dos outros... uns aprendem e vão crescendo, outros esperam sentados ... uns sobrevivem, outros morrem...

olho de fogo said...

O importante não é transformar o mundo, porque o mundo muda todos os dias. O essencial é mudarmos de rumo (que é mais importante que a velocidade) quando é preciso e lançar umas sementes à volta. Se a terra for fértil e formos bons semeadores algumas sementes germinarão. Entretanto, nesse processo de sementeira, que é sereno e subtil, aproveitemos para crescer e ser-se feliz. Dito de outro modo, gozemos a viagem (luta) e não só o atingir a meta (vitória).
É pena que as pessoas se conformem (em nome, nomeadamente, de conforto e segurança)à primeira dificuldade e primeiro confronto com a realidade, em vez das dificuldades constituírem um desafio (e combustível) para as ultrapassar. Com realismo, alegria e prazer. Os lutadores não têm de carregar o mundo às costas nem têm de ser cinzentões, tristes ou frustrados.