Friday, May 12, 2006

Acho que vou voltar ao sistema do colchão...


Ando há mais de um mês sem cartão multibanco porque o meu Banco resolveu renovar os cartões azuis e verdes, feios e antigos, por uns novos com uma vista da baía do Funchal. Claro que, quando falamos de bancos, as coisas não são assim tão lineares e nunca tão simples.
No dia 6 de Abril, fiquei sem cartão deste meu banco onde sou forçada a ter conta (isto se quiser receber o meu salário a tempo e horas, claro, porque posso sempre optar por receber por cheque) mas como ia sair de férias nesse mesmo dia e como, felizmente, tenho conta num outro Banco, resolvi fazer umas transferências através da Internet e do Homebankin, minimizando este problema porque afinal, convenhamos, ninguém acredita que resolve alguma coisa andando a reclamar de Banco em Banco.
O meu cartão com a vista da baía do Funchal, até hoje não chegou. Atraso da SIBS diz-me o banco onde tenho conta sem querer e, portanto "a culpa não é nossa".
- "Quero então fazer um levantamento aqui ao balcão";
- "Com certeza, aqui tem o seu dinheiro e cobramos-lhe uma taxa de levantamento ao balcão de 2,60€".
Vamos lá ver então, mais de um mês depois de me terem retirado o meu cartão multibanco e não me terem dado nenhum em substituição, com ou sem baía do Funchal, fazem-me deslocar a um Balcão físico, esperar numa fila para levantar o meu dinheiro e ainda me fazem pagar por isso?
- "Desculpe, quero fazer uma reclação do banco"
- "Mas não tem nada que reclamar. A culpa é da SIBS"
- "Mas eu não sou cliente da SIBS."
De volta ao meu computador e antevendo que tão cedo esta situação não iria resolver-se, decido ir ao homebanking do Banco e pedir um livro de cheques. Muito a contragosto porque não sou organizada o suficiente para usar este tipo de pagamento. Mas admito-o e por isso só neste caso que considerei de "extrema aflição" recorri a este último recurso.
3 dias depois e tendo chegado o código do cartão a casa, ganho coragem e vou à sede do Banco, levantar o cartão de acordo com as instruções do funcionário que me disse carrancudamente que não aceitava a minha reclamação.
45 mnts de espera graças à falta de várias pessoas com senhas à minha frente (caso comparecessem todos o tempo estimado de espera era de 2h45 mnts) sou atendida por uma funcionária muito solicita a quem apresento o código dizendo que venho levantar o cartão:
- "Mas agora os cartões vão para casa! O seu cartão chegou antes do código"
- "Não minha senhora, não chegou..."
- "ahhh....então extraviou-se"
- "Quanto tempo para vir um outro?"
- "Um mês, e vai ter que pagar novamente a anuidade de 7,80€"
- "Desculpe, quero fazer uma reclamação do banco"
(entretanto já tinha pedido os meus cheques, cuja emissão tinha sido pedida por mim na Internet e pelos quais já me tinham debitado da conta 6,70€)
- "Mas reclamar de quê????"
- "Então eu ainda tenho que vir levantar o meu dinheiro, perder a minha hora de almoço para esperar nesta fila, por atrasos vossos e ainda me cobram por isso?? Reclamar de quê???"
- "Então até lhe estamos a dar este benefício dos cheques, é para compensar essas coisas!"
- "Corrija-me se eu estiver errada mas estes cheques foram pedidos e pagos por mim, não estou a perceber o benefício que o Banco me está a dar..."
Bom, esta visita no Banco demorou mais de 1h30 e fui sendo passada de funcionário a funcionário até o Gerente do Banco que me disse que claro que a razão era toda minha e que me iam devolver esses valores cobrados indevidamente. Ainda aceitou a minha reclamação por escrito. Sabia-a toda é o que vos digo. A formação de "vendas e gestão de conflitos com o cliente" estava toda ali, as frases feitas. Mas eu não me importei mesmo ficando com a clara sensação de que quando virasse as costas iam todos murmurar em uníssono que há clientes insuportáveis.
A questão coloca-se hoje porque 1 mês e seis dias depois de ter ficado sem cartão e de ter sido obrigada a familiarizar-me com os cheques, fui fazer uma consulta ao meu homebanking e vejo que um cheque que passei no valor de 28,60€ foi levantado com o valor de 128,60€. Parece que o traço que pus antes do 2 para cortar foi entendido como um 1. Ao que parece aquela história do "é a extensão que conta" não passa de um mito.
Dá vontade de pegar nas notinhas e guardá-las debaixo do colchão. Para não falar no desejo reprimido que começo a ter, de insultar os bancários...
Mas atenção, vou ter um cartão com uma vista sobre a baía do Funchal.
Ah, bom, então tudo bem.

4 comments:

papalagui said...

Como a compreendo! Já várias vezes tive vontade de recorrer mesmo ao velho e antigo colchão. É um insulto o que alguns bancos cobram por lá terem o nosso dinheiro.

Angel said...

Minha querida......eu estive 3 ou 4 meses há espera que o BANIF repouse-se dinheiro que pedi para transferirem para o estrangeiro e que nunca chegou ao destino. Foi necessário, falar pessoalmente com o gestor o diabo que o parta da rede de bancos do Banif da Madeira, porque nem gerente, nem cartas para a administração, resolveram o meu problema. Encontrei-o num trabalho e aproveitei para reclamar. Remédio santo.

Arturo O.Bandini said...

Poxa, então se tem uma coisa que funciona melhor no Brasil do que em Portugal são os bancos.

O Itaú, banco brasileiro onde tenho conta, nunca deu problema em 10 anos. Esses problemas descritos parecem coisa de bancos estatais.

Agora, tirando os bancos, a vida aqui no Brasil (principalmente no estado de São Paulo) está difícil que só...

mãe da amiga said...

É! Bancos parecem funcionar bem...só para quem está lá dentro, em especial nas altas esferas.O público,que lhes dá o dinheirinho a guardar e a ganhar...é muitas vezes mal servido.Dá mesmo vontade de voltar ao colchão!
Surpresa ao ler este post! O mundo é mesmo pequeno: papalagui é filha de queridos e velhos amigos meus! E q bem escreve! Aconselho vivamente http://www.o-meu-pai-e-eu.blogspot.com/
angel estava tão irritado(a)com o banco q descurou a gramática...